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Archive for fevereiro \25\UTC 2014

doses da vida 5

Um dia, depois de o amor acabar mas a esperança não morrer, tentei explicar a ele o que tinha acontecido comigo. A razão de tudo ter mudado em volta, mas pouca coisa dentro de mim.

Comecei explicando que tinha me apaixonado por ele desde o primeiro “oi”. Que, na época, acho que ele queria algo mais sério, mas eu não estava preparada. Terminamos e eu sofri. E muito.

Sonhava com ele e o queria ao meu lado todos os dias. Fiz inúmeras besteiras e magoei gente importante em atitudes inconsequentes, tentando achar uma maneira de acabar com aquilo tudo dentro de mim. Voltava para casa vazia e sozinha. Era a minha pessoa com a lembrança e o cheiro dele, todo dia.

Disse que, logo depois, quando ele casou, minha dor aumentou. Achei que era o fim, mesmo escrevendo para ele que “você vai acabar voltando para mim. A nossa vida é assim, somos um do outro, para sempre”. (Sim, achei isso lendo e-mails antigos). Drama puro, cheio de dor, de vontade de que tudo voltasse ao estágio inicial. Mas, sabe o que aconteceu? Ele se separou.

Expliquei que esperava ele ali comigo. Claro, ele não voltou para mim. Ficou, dormiu, me acariciou e sumiu. Disse que via que ele queria a rua, nua e crua. E eu queria ele, nu e cru. Vi que eu vivia uma marchinha de carnaval, que cantamos repetindo e sabendo o final.  Me enganava e encantava com a animação dele ali, em comemorar a vida. Mas, como todo carnaval tem seu fim, a repetição de tudo cansou e resolvi acabar com o sofrimento.

Contei que me livrei de peso, de sentimentos e de pré-julgamentos. Pedi para o ano novo me trazer coisas novas e boas. Decidi ser uma pessoa melhor para mim, por mim e ser minha melhor cia. Ouvi, muitas vezes, que quando estamos bem conosco, as coisas acontecem e fluem melhor. E foi isso que aconteceu. Tudo foi mudando em volta, tudo foi melhorando, a grama do meu jardim estava mais verde.

E ai, nesse momento, ele voltou para a minha vida. Com todos os sonhos que tive, com tudo que sempre pensei que só teria e daria certo com ele, quis de novo. Queria ele na minha vida com toda a força que a presença dele me traz, entrando pelos sete buracos… Mas, como nada é simples desde o início, fui acusada de não ser cúmplice. Resolvi explicar que não era isso, que estava ali, no canto, durante anos esperando ele. Que estava pronta. Que tudo em volta era decoração, não fazia parte da mobília. Não era do meu lar, do lar dele no meu coração.

Disse X. Ele entendeu YZ. E brigamos. Feio. Muito. Não queria brigar. Só queria amar. De novo.

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